Publicado por: Joel Cipriano em: Maio 5, 2009
O conteúdo deste post é referente ao texto Cartas de amor.
Somos a soma das nossas leituras: os textos que lemos, as conversas que ouvimos, os filmes, as peças de teatro e outras manifestações artísticas com as quais temos contato armazenam-se em nosso espírito. Quando falamos ou escrevemos estamos, na verdade, retomando essas leituras, reelaborando-as, citando-as, comentando-as ou deformando-as.
No segundo parágrafo o narrador faz referência a um filme do diretor Luís Buñuel, de grande sucesso nos anos seguintes a 1996, com a atriz Catherine Deneuve. O título em português é A bela da tarde.
No mesmo texto há outra referência: um livro de Helene Hanff, 84 Charing Cross Road, que também virou filme – cujo título, como apareceu nos cinemas brasileiros, é citado por Moacyr Scliar – com Anne Bancroft. O filme conta a história de um homem e uma mulher que se correspondem durante quase toda a vida, sem nunca se terem visto.
Retire do texto as duas referências e escreva-as em seu caderno.
Você acha que a leitura, o cinema e a televisão têm alguma influência na forma como as pessoas se apaixonam?
Publicado por: Joel Cipriano em: Maio 5, 2009
O conteúdo deste post é referente ao texto Cartas de amor.
E era uma carta de amor. De amor não; de paixão.
A paixão é definida como um sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão.
Sendo uma fixação afetiva por uma pessoa, uma idéia ou uma coisa, a paixão se distingue de outros sentimentos por sua força, sua intensidade e sua exclusividade. Assim, um indivíduo apaixonado pelo seu time de futebol pode deixar de honrar compromissos apenas para assistir a um jogo, faltando a provas escolares ou ao trabalho.
Em seu sentido original, a paixão (do latim passionis) é um sofrimento de toda a alma. Os filósofos do século XVII insistiam no caráter passivo dos seres apaixonados, cujos sentimentos dominavam a própria vida.
Nos séculos XVIII e XIX, com o Romantismo, tenta-se reabilitar a paixão. Ainda que ela faça sofrer, é também uma fonte viva de emoções e criatividade.
Na sua opinião, o que é melhor: amar ou estar apaixonado?
Publicado por: Joel Cipriano em: Maio 5, 2009
O conteúdo deste post é referente ao texto Cartas de amor.
Publicado por: Joel Cipriano em: Maio 5, 2009
Cartas de amor
Eu era aluno do Júlio de Castilhos e estudava à tarde (as manhãs, naquela época, estavam reservadas às turmas femininas). Um dia cheguei para a aula, coloquei meus livros na carteira e ali estava, bem no fundo, um papel cuidadosamente dobrado. Era uma carta; dirigida não a mim, mas “ao colega da tarde”. E era uma carta de amor. De amor não; de paixão. Paixão fogosa, incontida, transbordante, a carta de uma alma sequiosa de afeto. À qual o jovem escritor não teve a menor dificuldade de responder.
Iniciou-se assim uma correspondência que se prolongou pelo ano letivo, não se interrompendo nem com as provas, nem com as férias de julho. À medida que o ano ia chegando a seu fim, os arroubos epistolares iam crescendo. Cheguei à conclusão de que precisava conhecer a minha misteriosa correspondente, aquela bela da manhã que me encantava com suas frases.
Mas… Seria realmente bela? A julgar pela letra, sim; eu até a imaginava como uma moça esguia, morena, de belos olhos verdes. Contudo, nem mesmo os grandes especialistas em grafologia estão imunes ao erro, e um engano poderia ser trágico. Além disto, eu já tinha uma namorada que não escrevia, mas era igualmente fogosa.
Optei, portanto, pelo mistério, pelo “nunca te vi, sempre te amei”. A minha história de amor continuou somente na fantasia. Que é o melhor lugar para as grandes histórias de amor.
SCLIAR, Moacyr. “Cartas de amor.” In: Minha mãe não entende nada. 2. ed., Porto Alegre, L&PM, 1996. p. 85-6.